Frente Parlamentar de combate a violência contra a mulher com foco em ações efetivas em Volta Redonda

VOLTA REDONDA


A violência contra a mulher é uma realidade que exige ação contínua e estruturada. Pensando nisso, a vereadora Gisele Klingler informou, em entrevista ao A VOZ DA CIDADE, a criação da Frente Parlamentar de Combate à Violência Contra a Mulher em Volta Redonda. Disse que a iniciativa surge da necessidade de transformar o debate sobre a violência em políticas públicas efetivas, indo além das discussões ocasionais que surgem apenas em momentos de grande repercussão.


Klingler ressaltou ainda que sua participação na 70ª Comissão de Situação da Mulher (CSW70), na Organização das Nações Unidas (ONU), foi um marco importante para dar ainda mais força à proposta. Durante sua estadia em Nova York, ela discutiu com outros países estratégias de proteção às mulheres e se reuniu com o presidente da Câmara de Volta Redonda, vereador Neném, para reforçar a importância de trazer uma proposta estruturada para o município. Gisele lembrou que a vereadora Carla Duarte também foi convidada a integrar a Frente, fortalecendo ainda mais o projeto.


OBJETIVOS E FUNCIONALIDADE DA FRENTE PARLAMENTAR


A parlamentar lembrou que a Frente tem como principal objetivo fortalecer as políticas públicas de proteção às mulheres, promovendo um diálogo contínuo entre o Legislativo e as redes de atendimento. Destacou que a frente não deve apenas ser um espaço de discurso, mas de ação efetiva, com acompanhamento de ações de prevenção e enfrentamento à violência. “Precisamos transformar esse tema em uma prioridade institucional”, afirmou a parlamentar.


Com a proposta de funcionar como um espaço permanente de articulação política, fiscalização e proposição de políticas públicas, a Frente buscará promover reuniões periódicas, audiências públicas e ações de integração entre a Câmara, prefeitura e toda a rede de proteção à mulher existente na cidade. Além disso, a Frente terá como objetivo a proposição de projetos de lei, monitoramento de indicadores de violência e acompanhamento das políticas públicas e orçamentos voltados à área.


A parlamentar ressaltou ainda que a rede de proteção à mulher em Volta Redonda já conta com instituições como o Centro Especializado de Atendimento à Mulher Casa da Mulher Bertha Lutz (CEAM), a Casa Abrigo Regionalizada, a Patrulha Maria da Penha, a Defensoria Pública e o Ministério Público (MP), além de organizações da sociedade civil e a Central 180. A Frente Parlamentar buscará fortalecer essa colaboração para garantir um atendimento ágil e integrado.


Um dos pontos destacados pela vereadora foi a importância de fortalecer o trabalho conjunto com a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), que tem sido fundamental no combate à violência doméstica no município.


DADOS E DESAFIOS


Sobre dados e desafios, a vereadora informou que os números mais recentes do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ) revelam um aumento significativo nos registros de violência contra a mulher em Volta Redonda. Em 2024, foram 625 vítimas de violência física, 722 de violência moral, 154 de violência patrimonial, 968 de violência psicológica e 156 de violência sexual, o que mostra a gravidade do problema.


Mesmo com o aumento dos registros, a delegada da Deam-VR, Juliana Montes, alerta que isso não significa que a violência tenha aumentado, mas sim que mais mulheres estão denunciando. A subnotificação continua sendo um grande desafio, e a ação da Frente também se concentrará em promover a denúncia e o apoio contínuo às vítimas.


Além de combater a violência, a Frente também estará voltada para ações de prevenção e autonomia econômica das mulheres, reconhecendo que a dependência financeira muitas vezes mantém as vítimas dentro do ciclo da violência. A criação de medidas protetivas eficazes e o fortalecimento da rede de acolhimento também são pilares dessa luta.


Klingler enfatizou que nenhuma mulher pode se sentir sozinha diante da violência. “Precisamos garantir que as políticas públicas atendam a todas, sem exceção, e sem discriminação de classe social, porque a violência contra a mulher não escolhe classe”, disse a vereadora, lembrando que, com o lançamento da Frente Parlamentar, Volta Redonda dá um passo importante para transformar o combate à violência contra a mulher em uma prioridade contínua e efetiva, mobilizando tanto o poder público quanto à sociedade civil para enfrentar esse grave problema.

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